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Avaliações FVM2014 – The Cool Club

26 maio Concurso Faça Você Mesmo | Comentários desativados em Avaliações FVM2014 – The Cool Club
Avaliações FVM2014 – The Cool Club

O jogo é um “clube do livro” onde se discute sobre livros fictícios. Abordei inteiramente o tema “Romance” por se tratar de livros. E o segundo tema usado foi a Horizontalidade. No jogo, todos disputam para saber quem é o mais hipster, mas pra isso precisam evitar a mediocridade. O jogo é manter os outros no mesmo nível.

Juiz Convidado: Thiago Edwardo

“Que jogo legal!”

Essa é a primeira (e até a segunda) impressão ao ler o The Cool Club. Na verdade o jogo todo é uma grande piada (no bom sentido) e esse parece ser o maior mérito dele.

Toda a mecânica parece fortemente inspirada no “Barão de Munchausen”, em alguns momentos parece até que é só um “hack” do barão, mas logo após ele se distancia. Achei interessante a identidade dos personagens serem definidas por outro jogador, e a idéia dos livros fictícios é ótima, neste caso eu acho que a geração dos personagens, e talvez até de trejeitos de sua personalidade poderiam ser geradas também pelo site, que parece meio perdido na coisa toda, já que gera apenas o nome do livro, que poderia ser inventado assim como o nome do personagem (mas ao mesmo tempo evoca mais ainda a alma hipster, já que o tablet está lá mesmo é pra ser exibido!).

O jogo tem um momento de críticas, e gostei do fato que o cara tem que estar afiado, não pode errar um detalhe que alguém já comentou sobre o livro (hipster que é hipster não demonstra fraqueza!), mas talvez ai o jogo perca o ritmo, não há muita motivação mecânica para contar sua crítica, gostar ou não do livro depende exclusivamente do humor do jogador, o que pode atrapalhar a jogabilidade se todos não estiverem totalmente imersos (dá pra atrapalhar o coleguinha fácil), neste ponto, eu volto na recomendação anterior, talvez se fossem definidos traços da personalidade de cada personagem, os jogadores teriam um guia, para saber se gostaram ou não daquele livro, se aquela história era interessante para ele. No fim, só alguns playtests mostrariam, mas realmente me parece que o jogo precisa de um pouco mais de impulso para não ficar massante no meio.

Quanto a abordagem dos temas, os romances estão lá e não há como negar, mas não consigo ver muita horizontalidade na coisa toda, nem ela influenciando mecanicamente o jogo.

The Cool Club é um jogo muito legal, que definitivamente funciona (mas talvez pudesse funcionar melhor) e que tem um mérito muito raro, é engraçado!

  1. Quão completo é o jogo: 10.0
  2. Uso dos temas: 7.0
  3. Afinidade entre Regras e Conceito: 9.0

Integrantes da Secular (Tiago Marinho)

A ideia do jogo é simples e divertida: os jogadores são membros “hipsters” de um clube de discussão de livros, e devem falar a respeito de livros fictícios, cujos títulos e autores são gerados automaticamente através de uma página na Internet. Tudo é inventado na hora, até mesmo se a pessoa gostou ou não, e existe uma pontuação de Ego (único “atributo” do jogo) recebida a partir de mecânicas simples (todos ganham ego quando alguém erra o nome do autor ou o nome do livro, sentindo-se mais espertos; e o avaliador do livro ganha Ego de acordo com o número de concordâncias ou discordâncias – é “cool” gostar de um livro que ninguém gostou, ou de um que a maioria concorda com você, afinal, foi você quem leu). Tudo anotando em “moleskins” de preferência, ou cadernos normais, que são considerados “moleskins” imaginários.

Confesso que esse pequeno jogo de seis páginas chegou a balançar meu coração. Por um lado, eu me diverti bastante com a piada-meme ligada aos “hipsters”, desde a sugestão de uso de um iPad para jogar (afinal, se você é hipster, obviamente terá apenas produtos da Apple) até as regras baseadas em você se lembrar do nome do autor do livro, sob o risco de ter sua reputação abalada entre seus amigos que sabem mais, logo, são mais legais que você. Por outro, eu fico um pouco incomodado com o desconforto que pode causar em pessoas que pertencem ao grupo zoado, mas acho que se ninguém levar a coisa a sério, valeu demais a piada.

As regras são simples e despretensiosas, mas cumprem exatamente o papel proposto, de gerar uma conversa bastante divertida entre os irônicos e metidos frequentadores do clube. Cada jogador deve ser apresentado pelo colega da esquerda, que inventa um nome e uma profissão para o colega (dentre as sugestões, encontramos game designer, em uma óbvia referência aos membros hipsters da Secular, que não nomearei aqui, mas todo mundo sabe quem são), que deve usar tal informação em sua interpretação. Acho que os pontos de Ego poderiam ser mais aproveitados, como possibilidade de seu gasto para interromper o amigo com informações pouco conhecidas a respeito do livro ou autor, ou até mesmo ganho deles pela desmoralização falaciosa dos coleguinhas. Faltou alguma mecânica mais sólida para que um hipster atacasse o outro ou contestasse suas opiniões, por exemplo, tornando a experiência um pouco mais completa. Além disso, é fácil as pessoas manipularem a partida para diminuir ou aumentar os números de Ego de outros jogadores.

Cool Club é basicamente um LARP simples, e há até mesmo a exigência de alguma caracterização (os jogadores devem, necessariamente, possuir pelo menos um item, entre cachecol, boina, chapéu ironicamente torto, bigode, etc.). É um jogo despretensioso, que exige apenas um pouco de papel, alguns amigos, imaginação e bom humor.

Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de jogo? 8,0

Ele apresenta o necessário, mas falta uma mecânica mais consistente, que depende mais do ímpeto do grupo do que da própria regra.

Uso dos temas: o jogo faz um uso criativo e substancial de 03 dos 08 temas apresentados nas regras do concurso? 7,5

Apresentou os elementos sugeridos ao longo do texto. Romance foi usado de uma forma que não pensei, mas foi bem divertida. Horizontalidade foi basicamente a igualdade dos participantes e ausência do mestre.

Afinidade entre Regras e Conceito: o designer foi bem sucedido em sua proposta inicial? As regras representam de maneira apropriada o conceito do jogo? É possível jogá-lo de maneira funcional? 8,0

As regras representam muito bem o intuito do jogo, e seu potencial para evolução é enorme. Acho que o jogo está completo dentro de sua proposta, mas ele pode propor uma experiência ainda melhor com algumas alterações!