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Avaliações FVM2013 – Tabula Rasa

Avaliações FVM2013 – Tabula Rasa

Juiz Convidado: Guilherme Moraes

Pelo meu parco conhecimento de RPG, o Tabula Rasa usa alguns jogos como fonte para seu sistema: a mecânica de conflito está em 3:16 Carnificina entre as Estrelas, assim como a questão de rolagem de dados está em Terra Devastada, já  a ideia de narrativa parece muito com Fiasco/Violetina, e por último, a construção de eventos com base em cartas lembra Cosa Nostra.

Posso estar totalmente errado, isso é mais comum do que imaginam, mas criar um rpg, em minha opinião, é muitas vezes como uma colcha de retalhos costurada pelo autor, onde cada retalho está inserido em um outro rpg. Isso não é nem um pouco errado. A questão, nesse caso é, saber se o autor conseguiu costurar de forma concisa sua colcha…

Enfim, Tabula Rasa apresenta a proposta de cenário de forma muito rápida e tenta, ao longo das páginas de regras, ampliar essa apresentação e, na minha opinião, a forma como foi escrito dificulta um pouco a compreensão (provavelmente culpa do pouco tempo que o autor tem entre conceber a ideia, escrevê-la e submetê-la ao concurso).

Como conselho, o autor deve conceituar um pouco mais a ideia de jogo por detrás do cenário, por mais que eu entenda o motivo pelo qual o levou a manter limitado. As regras também precisam de mais exemplos práticos, algumas estão meio confusas. Uma boa solução é criar um texto final com uma sessão transcrita para facilitar o interlocutor a entender o jogo.

Outra coisa que sugiro ao autor é colocar o universo de jogo em uma terra pré-histórica  ao invés de um mundo qualquer, talvez o impacto da descoberta possa ser aprofundado dessa forma.

Outro ponto interessante é criar uma regra de degeneração para os Clones, o que os motivaria a seguir adiante ao mesmo tempo que criaria uma série de novos conflitos (pensei um pouco em Segredo do Abismo, quando o militar sofre os efeitos da pressão e começa a ficar doidão…).

Tem uma sacada bem interessante de construção de personalidade ao longo do jogo:

– Número 5, onde você estava?

– Me chame de Mark agora em diante.

Nesse caso, acredito que forçar conflitos sociais devido a essas mudanças pode se tornar algo bem interessante.

A parte dos recursos é interessante também (os clones precisam sobreviver em uma terra desconhecida), mas ao mesmo tempo me parece que o jogo, muitas vezes, pode ficar apenas em função disso…

Minha conclusão: eu gostei muito da proposta do jogo, porém, precisa ser reescrito e reorganizado para que o interlocutor tenha um melhor entendimento do conceito e das regras.

  1. Quão completo é o jogo: Em minha opinião, o jogo ficou muito aberto, e precisa trabalhar melhor as indicações da história, o que facilitaria e agilizaria a compreensão de todos os envolvidos na construção da história. Nota: 6.5
  1. Uso dos temas: O jogo usa os temas propostos, porém, acho que poderia ter aproveitado duas metas extras, como o Conquistando o Destino e o Fantasma na Máquina. Nota: 8.0
  1. Afinidade entre Regras e Conceito: O sistema funcionará com a proposta, mas deve ser revisto, fiquei com a sensação de torna-se um pouco travado em alguns momentos. Nota: 7.5

Integrantes da Secular

Tabula Rasa é um jogo excepcional. Tirando várias ideias de seriados de ficção científica e mistério como Lost, Terra Nova e similares, ele coloca os jogadores no papel de clones “descendentes” de dois seres humanos enviados para uma outra dimensão, chamados Adão e Eva. Nessa dimensão, presume-se existir uma chave essencial para a sobrevivência humana. O que é essa chave, quem enviou os clones, serão eles os primeiros ou os centésimos clones a tentarem resolver o problema, o que aconteceu com os outros, caso não sejam os primeiros, dentre outras tantas perguntas e mistérios deverão ser respondidos durante o jogo. As respostas nunca são simples, e variam de acordo com a vontade do mestre (definidas no início da campanha).

Inicialmente, todos os clones são iguais (variando apena se são clones de Adão ou de Eva). Existe uma mecânica de cartas de baralho que podem oferecer bônus em testes, e sempre que um clone ganha uma carta, ele ganha uma característica positiva que o diferencia dos demais. Concomitantemente, sempre que ele perde uma carta, recebe uma característica negativa individual. Dessa forma, ao longo dos dias, cada clone vai se tornando um indivíduo, diferente dos outros clones.

Assim que acordam em uma câmara com várias máquinas de clonagem, os jogadores percebem que não são os únicos clones. Podem existir 5 deles, mas há 10 câmaras. Podem haver outras câmaras com clones ainda dormindo, ou outras nas quais estejam clones mortos. O que teria causado sua morte? Onde estariam os outros clones? Mais mistérios…

O jogo se desenvolve ao longo dos dias, durante os quais os clones precisam gastar ações e fazerem rolamentos de dados (d6) para caçarem e reunirem recursos necessários para sua sobrevivência e, ao andarem pela dimensão paralela, encontrarão ruínas (que podem conter artefatos que os ajudarão), informações (como livros e discos de memória perdidos), outros habitantes, dentre outras coisas. Tudo isso lhes oferecerá pistas sobre os mistérios, que são definidos no início do jogo através de cinco perguntas. Existem cartas de baralho envolvidas de duas maneiras diferentes: elas podem ser trocadas por pedaços dos mistérios, e cada naipe representa uma de quatro perguntas. Em teoria, a quinta pergunta será respondida apenas com as respostas das outras quatro; ou elas podem ser baixadas para somarem seus valores ao rolamento de dados dos personagens para captação de recursos ou testes.

O sistema básico é simples: rola-se os dados, somando seus resultados (e o valor de uma carta, se utilizada) e o total é comparado com um fator. Para cada vez que o fator foi alcançado, a ação será feita uma vez (normalmente, os personagens adquirem um recurso a mais do tipo buscado na ação inicial). Com os recursos em mãos, os personagens poderão comer e descansar, buscar informações, criar objetos. Tudo isso ocorre durante cenas que contêm também interação entre os personagens, que cada vez se tornam mais diferentes, e com o resto da estranha dimensão paralela.

Utilizando conceitos que misturam RPG e Boardgames, Tabula Rasa é um jogo bastante impressionante, e consegue captar bem o clima da sobrevivência, ao mesmo tempo em que utiliza de forma bem sacada a temática de clones. Seria um excelente lançamento, principalmente se acompanhado de marcadores bem feitos para medir todos os recursos obtidos.

 

Um comentário

  • Chikago666 disse:

    Opa! Obrigado pelo feedback, senhores! Deu mais gás para continuar o TR ajeitando e melhorando sempre. T.Hanks Guilherme e todo o pessoal da Secular!