Close

Não tem uma conta?

Faça seu registro!
lock and key

Entre na sua conta.

Login

Esqueceu sua senha?

Avaliações FVM2013 – Race Roster

15 abr Concurso Faça Você Mesmo | Comentários desativados em Avaliações FVM2013 – Race Roster
Avaliações FVM2013 – Race Roster

Juiz Convidado: Felipe Shingo

Tenho que assumir o Race Roster foi um jogo que me ganhou na proposta. Quando li na apresentação que se tratava de um jogo de corrida, no melhor estilo Velozes e Furiosos, mas com mulheres vestidas em trajes mínimos domando toneladas de quilos de metal em batalhas em alta velocidade, quase escutei o suspiro de alivio do autor. Afinal, um tema como este poderia fazer com que alguns outros juízes virassem os olhos com desprezo por ser sexista e juvenil. Mas não eu!

De cara vi que o jogo tinha muito potencial em uma mistura criativa dos temas Conquista, Erotismo e Subversão. O tema Conquista é extremamente presente, já que o objetivo primordial dos personagens jogadores é de ganhar as corridas disputadas pelas suas personagens (todas vestindo, de preferência, trajes minúsculos, é bom reforçar). Aventuras que, em toda sessão de jogo, devem enfrentar um “Evento Aleatório”, este que pode ser traduzido como o argumento daquela sessão para cada um dos personagens e que, como muito bem especificado no nome, é escolhido aleatoriamente utilizando um baralho comum (retirando-se algumas cartas). O Evento Aleatório é o porquê dos jogadores estarem se metendo em corridas irreais e frequentemente perigosas. Neste momento você vê onde a proposta do jogo brilha, a lista é composta por exemplos da pura arte do duplo sentido e, por que não?, pitadas mínimas de vergonha alheia. Certamente eventos como Wet and Wild, Síndrome de Cicarele e Biker Dyker Gangbang irão fazer você dar um risinho , ou jogar o livro de canto se for mais sensível.

A criação de personagens é bem simples e direta, contando com apenas 2 atributos, Sedução e Carro. A escolha dos atributos revela a dicotomia do jogo, ou você esta seduzindo outras garotas ou correndo em alta velocidade. Esta dualidade também é demonstrada nas características “secundárias” dos personagens, ambas que também contém o mesmo tom de humor de duplo sentido e sensualidade exagerada.

 A primeira uma lista de “Passados”, pequenos textos que trazem um pouco de personalidade para o seu bidimensional personagem. Ler coisas como Ação Pornô (“Você cresceu em torno de sets de filme pornô e aprendeu a usar as ferramentas de poder. Ganhe +1 em Sedução.”) e Longo, Duro e Quente (“Você está acostumado a tomar decisão rápidas. Receba +2 em todos os testes de Sedução resistido dentro de seu carro.”) demonstram perfeitamente qual é o tipo de personagem que o jogo exige que você crie.

O segundo, uma lista de Opcionais para o Carro,  tem o nome de Modificações de Carro (o que me fez perder alguns segundos buscando o capítulo Opcionais), que contém perolas como Fazer Beicinho (“Isso é muito mais difícil do que parece! Uma vez por corrida você pode usar sua Sedução em vez de seu Carro para ganhar posições.”) e Assento Quente (Você pode encaixar um terceiro ocupante no veículo, isso dá um bônus de +2 em testes de Sedução, mas recebe uma penalidade igual em testes de carro, devido a balanços, empurrões e corpos suados batendo um nos outros.) definem muito bem qual é o principio do jogo. Correr e Seduzir.

Como disse Race Roster me ganhou pelo tema, mas me perdeu por todo o resto. É nítida a pressa e a falta de cuidado com o qual o jogo foi escrito. Ele não parece coeso e a disposição das regras é bem confusa, até agora me pergunto se os pontos de Trunk servem para mais alguma coisa além da compra de Opcionais.

O que deveria ser o ponto principal do jogo, a corrida, é simplista e não possui regras que adicionem a emoção e a importância que ela deveria ter no jogo. A criação de pistas, que foi um dos pontos principais apontados na descrição do jogo aos jurados, ocupa um paragrafo com uma lista de 4 modificadores a serem aplicados a mais diversas possibilidades. Não temos no entanto um exemplo de pista ou até mesmo um exemplo de corrida que possa guiar os jogadores e DMs na construção desta parte da sessão. Um ponto que seria importante para que o autor pudesse mostrar qual o tom do jogo neste requisito. Aliás, a construção de pistas tem uma questão curiosa, a apresentação do jogo enviada ao concurso diz que ele utilizaria o baralho para a criação das pistas, algo que não acontece em nenhum lugar do livro. Talvez a ideia inicial fosse utilizar o baralho ara a criação das pistas empregadas nas sessões de jogo e ela foi largada no meio do caminho, por se mostrar muito trabalhosa, ou o autor não teve  tempo de finaliza-la. O baralho se faz presente apenas no sorteio dos Eventos Aleatórios, algo que, sinceramente não justifica o emprego de mais um item além dos dados no jogo.

Uma alternativa para dar vida e ação à corrida são as Artimanhas Impressionantes. Como o nome diz, são feitos que os jogadores, ao custo de pontos de Score ou Drift, podem fazer no meio da corrida para ganhar vantagens e impressionar a audiência. O problema é que as vantagens concedidas pelas Artimanhas Impressionantes são bem pouco impressionantes e parecem ter sido incluídas de última hora, existe uma lista com apenas 6 destas Artimanhas, 3 para Score e 3 para Drift o que é muito pouco para um jogo que se baseia em filmes onde este ponto é utilizado com exaustão.

Quanto mais eu leio Race Roster eu vejo que o que foi entregue ao FVM foi o rascunho de uma boa ideia, com um rascunho de regras de suporte. Me soa como se o autor passou mais tempo desenvolvendo os Passados e Opcionais, sem dúvida o ponto alto do texto, do que realmente pensando em como o cenário e as regras funcionariam em uma mesa de jogo.

É um jogo que consegue apresentar o tema de forma bem humorada, mas que não traz o suporte de regras necessário para que ele seja um RPG com uma jogabilidade agradável. Não duvido que você possa se divertir com uma partida de Race Roster. Para alguns o tema pode segurar uma sessão repleta de cerveja e salgadinhos gordurosos.

Race Roster se vende como um Car-Racing Game, mas infelizmente entrega isto com a mesma profundidade encontrada nos roteiros de Velozes e Furiosos. Inexistente.

O jogo precisaria de uma recriação profunda para que pudesse apresentar por meio de regras a interessante e divertida proposta criada pelo autor. Proposta esta que realmente merece uma jogabilidade a altura de seu bom humor e possibilidades de diversão.

  • Quão completo é o jogo: Race Roster apresenta um tema divertido, mas regras que não trazem esta diversão para a mesa de jogo – 4,5
  • Uso dos temas: Conquista, Sedução e Subversão. Mulheres Sedutoras ganhando corridas clandestinas, soa muito bem para mim – 7
  • Afinidade entre Regras e Conceito: As regras são rasas e não refletem com completitude a proposta inicial do jogo – 5

Frases para se colocar na contra-capa:

“(…) Race Roster me ganhou pelo tema, mas me perdeu por todo o resto” – Felipe Shingo

“De cara vi que o jogo tinha muito potencial em uma mistura criativa dos temas Conquista, Erotismo e Subversão” – Felipe Shingo

Integrantes da Secular

Race Roaster é um jogo inusitado e complicado de avaliar. Ele é descaradamente despretensioso, com um climão Gonzo, beirando o absurdo ou cartunesco, feito para quem quiser descontrair, e que goste de jogos de humor. A dobradinha carrões + gostosas é potencializado, levado diretamente à dialética entre conceito e mecânica, de tal forma, que ele é mais sobre isso (carrões + gostosas ), do que Erotismo e Subversão. Dado o fato de não querer entrar em juízos de valores, descarto a discussão entre o Erotismo e o sexismo (ou o apelo ao sexo, típico do sexploitation). Sendo assim, vale mencionar que realmente senti falta da abordagem do tema Subversão.

As mecânicas aparentemente funcionam bem, mas são limitadas a manutenção de recursos (Sedução e Carro), ou no caso das cartas (Eventos Aleatórios), bônus ou penalidades que apesar de terem um componente inusitado ou divertido na ficção, não estimula necessariamente a criação de histórias. Elas já estão lá prontas, e é possível que a atenção recaia prioritariamente sobre as vantagens ou desvantagens numéricas. As recompensas são benefícios dentro da proposta puramente gamista do jogo. Isso não é em si um problema, e só aponto estas percepções pois minha impressão é que o jogo estaria muito mais confortável se desenvolvido como um divertido boardgame, coisa que seria facilmente exequível com poucos ajustes.

Ainda assim é recomendado a leitura do jogo, para quem quiser dar boas risadas. O texto é bem escrito, e toma a forma à qual se propõe.  

Sobre o sistema, vale ainda apontar:

Os Scores tem amarração mecânica interessante(quando da ultrapassagem). Já o Drift fica amarrado ao julgamento dos outros jogadores ou à um sucesso nos dados, que demonstra um exemplo de Feedback Loop positivo pouco amarrado, Talvez necessitando de um artifício de limitar sua capacidade de gerar bônus.

Dica: Uma interessante forma de representar mecaforicamente a corrida, seria o seu trajeto ser representado pelas cartas de Eventos Aleatórios, sendo sorteadas a medida que se avança na pista, cada uma, relativa à algum jogador (incluindo o DM).

Notas (Eduardo Caetano)

  • •     Quão completo é o jogo: 6,0
  • •     Uso dos temas: 4,0
  • •     Afinidade entre Regras e Conceito: 6,5