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Avaliações FVM2013 – EQUILIBRIUM

Avaliações FVM2013 – EQUILIBRIUM

Juiz Convidado: Newton “Tio Nitro” Rocha 

Um jogo sobre a primeira cidade, depois da criação do universo e seus habitantes, os Omni, criaturas praticamente imortais que estão envolvidas em uma guerra fria entre duas facções. Os Omni são divididos em castas e saem em missões em diversas dimensões e realidades, usando seus próprios corpos ou usando clones (com menos poder, mas sem correr risco de perder o personagem).

O sistema de jogo usa a mecânica de conjunto de pontos, que podem ser usados pelos jogadores para diminuir a dificuldade dos testes descritos e criados pelo moderador ou narrador. O jogo precisa de uma pessoa para “moderar” e criar as dificuldades de uma missão.

O texto conta com muita descrição do histórico do cenário, com a história de Enockian, a primeira cidade, suas facções, guerras, etc. Uma grande parte do cenário é deixada em aberto para que os jogadores criem antes de jogar, porém com base em um detalhado histórico do cenário.

O jogo também sugere usar os Omni e suas missões nas diversas dimensões para aproveitar e jogar aventuras de diversos tipos.

Vamos aos quesitos de avaliação:

Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de jogo? Nota: 6,0

O jogo contém uma boa mecânica de pontos e realização de tarefas, mas está muito amplo em seus objetivos e o cenário, apesar de conter ideias interessantes, está ainda muito vago (apesar de que acredito que não seria tão necessário, se o jogo fosse remodelado para ser mais narrativo do que o modo que está apresentado).

O conceito é interessante, mas acredito que poderia ser mais enxugado, mais objetivo.”Equilibrium” seria mais efetivo se fosse mais focado, por exemplo, com um objetivo claro para os Omni buscarem em suas missões e indicações claras de como atingi-lo (talvez algo integrado com a mecânica do jogo). Ao invés de um cenário já criado, o jogo poderia oferecer apenas um esqueleto de cenário ou deixar os jogadores criarem a natureza dos Omni e sua história e focar mais na parte da criação dos cenários das missões dos personagens dos jogadores.

A criação de personagens poderia ser mais livres ao invés de divididas em Castas (seguindo o esquema tradicional de RPGs da White Wolf, por exemplo). Senti falta de algum meio de criar a história pessoal de cada Omni, suas memórias, sua biografia, para que cada personagem ficasse diferente de um outro.

A proposta do jogo é muito interessante, ele serviria até como um jogo sobre Deuses de um cenário antes da criação do universo do cenário, mas penso que, no modo que está apresentado, ainda precisa ser mais trabalhado e depurado.

Uso dos temas: o jogo faz um uso criativo e substancial dos temas (e eventualmente metas alternativas) escolhidas? Nota: 5

O jogo aborda alguns dos temas requeridos pelo concurso. O uso de uma mecânica de clones é interessante e permite que os jogadores arrisquem mais nas missões, mas senti falta de mecânicas mais ligadas a narrativa em si (por exemplo, uma mecânica de “morte dramática”, já que se os jogadores estão usando clones, criar mecânicas narrativas para influenciar na história das missões, como “viradas de trama”, “morte dramática”, “amor passional”, etc tornaria o jogo mais focado na criação de histórias ao invés do tradicional “vamos ver o quão poderoso vai ficar o meu personagem).

Um dos temas dramáticos que são evocados pela proposta de “Equilibrium” é o dilema do que significa ser Imortal como os Omni, e o contraste entre a Imortalidade e a Mortalidade (dos seres encontrados pelos Omni nas diversas dimensões). A mecânica do jogo deveria, ao meu ver, lidar com esse dilema (seja por meio de mecânicas, atributos, etc.).

Apesar de existir algum tipo de estrutura para as missões “reconhecimento /investigação /solução” eu acharia mais legal focar o jogo no efeito psicológico das missões nos Omni, e introduzir mecânicas e estruturas mais centradas na narrativa (por exemplo, os tipos de desafios narrativos de uma missão poderiam ser “o Omni se apaixona por um mortal “, “um inimigo faz algo contra você”, “sofre uma traição de outro Omni”, etc.).

Afinidade entre Regras e Conceito: o designer foi bem sucedido em sua proposta inicial? As regras representam de maneira apropriada o conceito do jogo? É possível jogá-lo de maneira funcional?  Nota: 5,0

Ao ler o texto, inicialmente achei que seria um RPG sobre como deuses criariam a narrativa da criação de um universo. Depois eu vi que era um jogo de seres quase imortais que podiam visitar várias dimensões passando por missões, dentro de uma guerra fria entre duas facções.  A proposta do jogo está um pouco vaga e não existe tanta necessidade de um histórico tão detalhado em comparação com um grupo de regras um pouco limitadas na parte da criação da narrativa compartilhada.

As regras por meio de conjunto de pontos são muito boas e simples, mas senti falta de mecânicas ou indicações de como as Missões são narradas e criadas coletivamente.

Uma sugestão seria dividir o jogo em duas fases, uma, da vivência e interação na Primeira Cidade e a outra nas Missões. Talvez a fase das Missões pudesse ser narrada coletivamente, sem mestre, e na Primeira Cidade com mestre. E cada fase deveria ter as regras para serem jogadas, regras de como estruturar a narrativa, quem iria narrar o quê (por exemplo, um sistema que divide a descrição da Primeira Cidade entre os jogadores, um cuidaria do governo, outro dos cidadãos, etc.).

Os atributos dos Omni são divididos nas tradicionais classes de ações físicas, mentais (subdividida em força de vontade e especialização ou foco). Eu esperaria algo mais alternativo, talvez mais ligado a natureza emocional ou a psicologia do Omni.

O conflito entre os Umbrah e a Ordem de Nexus não ficou muito claro, mas acho que o jogo ficaria melhor se fosse mais pessoal, se cada Omni tivesse uma busca pessoal ou algo para resolver na Primeira Cidade (que só se poderia fazer através das missões nas outras dimensões).

Mantendo o conflito entre as duas facções, seria legal se ele tivesse algum ponto final, um “endgame” para o jogo, pois isso focaria mais as missões. Por exemplo, os Omnis poderiam fazer missões para evitar o fim da realidade como ela é (Ordem de Nexus) ou para acabar com a realidade como ela é (no caso de permitir os jogadores usarem a facção Umbrah). Caso não conseguissem realizar tais missões em um número fixo de sessões de jogo, uma das facções venceria.

Uma mecânica de rede de relacionamentos ou um modo de construir coletivamente uma rede de relacionamentos dentro da Primeira Cidade também enriqueceria o jogo.

Em conclusão, penso que o jogo, apesar de promissor, está ainda nos seus estágios criação e teste. Parabéns para os criadores e espero que continuem trabalhando no “Equilibrium”!

Um abraço do Tio Nitro!

Integrantes da Secular

Em Equilibrium os jogadores representam membros de uma elite cósmica ancestral, os Omni, que viajam pelas dimensões buscando manter o equilíbrio entre a Ordem e o Caos, lutando principalmente contra os Umbrath antigos aliados que se voltaram contra tudo que a cultura Omni acredita, e destroem o equilíbrio em favor do Caos.

Já de cara o Equilibrium apresenta sua rica cosmologia em quase metade das páginas do livro, o que não é ruim, mas me pareceu um pouco estranho, já que o foco do jogo em si – as missões dos personagens dos jogadores Omni contra os Umbrath através das dimensões nunca é profundamente explicado. Neste sentido estamos lidando com um jogo paradoxal, que pinta um rico cenário, mas que coloca seus protagonistas de forma solta e sem muita estrutura. Sim existe uma missão, mas como elas são? Quais o efeito dos usos dos clones nas missões? Como os Umbrath os ameaçam? Nenhuma destas questões centrais me pareceu ser respondida de forma consistente, e para um jogo que tem uma proposta clara focadas em missões com um propósito específico esta é uma falha.

Os personagens são divididos de acordo com as castas dos Omni, cada qual com seus foco em uma das áreas desta cultura (marcialidade, vida social, conhecimento, etc.), que também representam seus atributos. Cada personagem também conta com as chamadas Reservas (de Ação, Ideia, Foco e Vontade), 30 pontos que pode gastar para dar vantagem em certos tipos de ação. Aqui se destacam os Pontos de Vontade, que podem ser usados como se fossem pontos de Ação, Ideia ou Foco, e ainda atuam como combustível para as habilidades especiais dos Omni, como criar um clone ou se teletransportar. Ué, mas se os pontos de Vontade são super legais e ainda podem ser usados como os outros pontos da Reserva, porque ter os outros? Porque os clones dividem todos a mesma reserva de Vontade, o que na prática não me pareceu um impedimento o suficiente, já que o próprio texto ressalta que raramente os Omni criam mais de um clone.

Aqui vale uma discussão sobre os clones: na ficção de Equilibrium, os clones foram criados como um esforço para virar a mesa na batalha contra os Umbrath, inclusive por não serem suscetíveis a se tornarem um deles. Mas na prática a diferença entre os Omni originais e seus clones existe, sendo representada apenas em seus pontos de Reservas, sempre iguais a metade do Omni original. A sacada dos clones é boa, mas mecanicamente sua representação é fraca, não existindo sequer incentivo para que os personagens os utilizem.

O sistema de resolução de Equilibrium, de acordo com a meta alternativa de design “Dominando o Destino” escolhida, não tem elementos aleatórios, e conta com gasto de pontos das Reservas contra uma dificuldade secreta definida pelo Moderador (mestre de jogo por aqui). Embora eu não seja muito fã de dificuldades determinadas pelo mestre, Equilibrium faz um ótimo trabalho em estabelecer diretrizes para estas dificuldades calcadas nas ideias de Especialização e Desafio, que parecem funcionar bem e tornar o sistema um pouco mais previsível, algo central em um jogo de apostas.

Já as missões, que deveriam ser o ponto estruturador do jogo, são descritas de forma ampla e um pouco genéricas, sem nunca tocar diretamente na ameaça que os Omni enfrentam. Como as ameaças não são claras, qual o incentivo de ir com um clone, se o próprio jogo afirma que “os Omni dos personagens decidem se irão pessoalmente (o que significa que serão bem mais poderosos, mas se morrerem perdem o personagem), ou se enviarão clones” e neste ponto pra mim parece que os risco das missões nunca foi efetivamente abordado durante o jogo, o que enfraquece sua estrutura e foco, e de forma geral enfraquece o jogo.

Notas (Rafael Rocha)

Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de jogo? Embora aparentemente em uma sessão de jogo, Equilibrium se foca muito na descrição do cenário e pouco no que os personagens dos jogadores efetivamente fazem ou deveriam fazer. Acredito que falte uma estrutura boa no jogo ainda. Nota: 5,0

Uso dos temas: o jogo faz um uso concreto e substancial de três dos seis temas apresentados nas regras do concurso? Se o autor optou por usar uma das metas alternativas de design, ele conseguiu executá-la satisfatoriamente? O jogo utiliza os temas Clones e Dimensões Paralelas de maneira significativa, embora em relação aos cones seria interessante uma mecânica de risco mais forte, que incentivasse os jogadores a não irem nas missões com os Omni. A meta escolhida Dominando o Destino foi bem representada. Nota: 7,0

Afinidade entre Regras e Conceito: o designer foi bem sucedido em sua proposta inicial? As regras representam de maneira apropriada o conceito do jogo? É possível jogá-lo de maneira funcional? As regras são bastante abertas, e apesar de tratarem dos temas escolhidos, poderiam ser mais interessantes e focadas. Nota: 6,0

 

Um comentário

  • Sergio Maxjr disse:

    Muito obrigado pelo feedback construtivo! Acho que algumas partes foram mal interpretadas (o que na verdade seria uma deficiência na minha forma de expressar) e outras caíram na malha fina do gosto pessoal, mas só em ter lido as sugestões e indagações já me ajudaram a pensar no jogo de forma mais focada.

    Mais uma vez, obrigado pela disposição em ler, analisar e compartilhar suas opiniões. Ano que vem tem mais!

    E boa sorte aos finalistas!!