Close

Não tem uma conta?

Faça seu registro!
lock and key

Entre na sua conta.

Login

Esqueceu sua senha?

Avaliações – Rally Mortal

02 abr Concurso Faça Você Mesmo | Comentários desativados em Avaliações – Rally Mortal
Avaliações – Rally Mortal

Juiz Convidado: Tiago Junges

Fazer um cenário único é quase que o Eldorado dos escritores e criadores de jogos. Existe sempre aquilo de “isso é igual a aquele filme, não?”. Depois de muito escrever sobre isso e ler sobre outras obras você acaba descobrindo que é algo impossível e ilusório. Na verdade todos os cenários que conhecemos e achamos que é “único” na verdade não passa de uma miscelânea bem construída. Eu gosto de pensar que é como a culinária. Existem milhares de ingredientes (frutas, sementes, carnes, vegetais, etc) e infinitas combinações entre eles. Não é possível criar um “gosto” novo, mas é possível criar a ilusão de um gosto novo.

A primeira vista, Rally Mortal parece como uma daquelas comidas estranhas. Ela tem um monte de coisa boa! Pós apocalipse, Mutantes, Aliens, Zumbis, Corrida, Gangues, Submundo, Mulheres Machonas Armadas até os Dentes, etc. Mas é tanta coisa legal e diferente que parece que não vai cair bem. Eu adoro sorvete e eu adoro Coca-Cola, mas quando me falaram pela primeira vez em misturar os dois eu achei que iria ficar ruim. Bem, acontece que hoje eu ADORO misturar os dois (aqui nós chamamos de “Vaca Preta”), e da mesma maneira que degustando esse jogo eu também gostei.

Não houve uma preocupação com o cenário, o que na minha opinião foi uma ótima coisa. O texto do cenário é um pouco repetitivo ao longo do livro, e as vezes desnecessários. Não se explica direito sobre essa vinda dos alienígenas, mas deixa algumas margens para interpretação estranhas. Acredito que seria importante uma boa revisada nele (eu me disponho a ajudar com isso! \o/ ). Como falei, o passado pode ser deixado em branco, mas algumas descrições sobre o presente eu achei que ficaram faltando.

Como o cenário não tem uma preocupação tão grande, acho que a salada de fruta funciona perfeitamente. As referencias todas são de filmes na minha lista dos meus 20 filmes favoritos, então gostei bastante. Eu achei ele com um clima de Rock and Roll Racing (um dos meus jogos favoritos do SNES), e o uso de carrinhos e dominó completaram o foco do jogo como algo menos narrativo, porém mais divertido.

E quando a mecânica do jogo? Ele usa a boa e velha mecânica de sucessos. Uma mecânica traiçoeira quando levado ao extremo (como acontece em Storyteller as vezes). Felizmente não há extremos aqui e a evolução do personagem foi muito bem pensada. Segundo o próprio autor, ele teve influencia no aclamado Mouse Guard, onde você só evolui o que você realmente usou e a dificuldade para evoluir cresce a cada jogo. Outra coisa legal do Rally Mortal é o uso dos dominós. Eu adorei mas acho que precisa ser melhor explorado (eu não saberia dizer agora).

Como o jogo se foca nas corridas, a mecânica foi toda pensada em cima delas (como todo bom RPG deve fazer). Então, um dos elementos principais do Rally Mortal é o seu veículo! Escolha o chassi, compre armamentos, motor, construa seu carro com um sistema de pontos. Não cheguei a analisar a fundo o balanço dos pontos. Precisaria chamar meu amigo “min-max” pra me ajudar a tentar detonar o sistema, mas claro que em um jogo criado em 15 dias seria pedir DEMAIS isso, certo? Pelo que vi está bem equilibrado, e mesmo que não esteja não poderia avaliar isso. Jogando que se descobrirá e equilibrará o jogo (o que eu pessoalmente tentarei arranjar tempo pra fazer! hehe).

O manual inteiro é bem difícil de ler, e faltou uma boa organizada. Como eu já participei de 4 eventos deste de Game Design (mesmo não tendo enviado meus jogos a tempo para 2 deles), sei muito bem que é difícil e novamente não poderia culpar por isso. Porém, por causa disso foi difícil de entender muitas coisas do jogo. Se eu for jogar agora, teria que deduzir muitas das regras por estarem ambíguas ou incompletas.

Os temas da Secular foram realmente um obstáculo incrível, e eu tenho que dar meus parabéns por ter conseguido usar 4 deles. Em todos meus protótipos eu sempre tinha dificuldade de encaixar o 4º. Sim, eu notei que foi um pouquinho forçado colocar a “Jornada” que até fez uma mistura com “Labirinto”, e acho que nem precisava. A “Jornada” por suprimentos é sempre algo imprescindível em um mundo arrasado.

Rally Mortal é um jogo muito interessante e competitivo. Acredito que as fichas de “personagem” (veículo, capitão e tripulação) e o uso de carrinhos de brinquedo são elementos que mudam a visão dos jogadores e tornam o jogo mais interessante. Quebra um pouco essa onda de RPG narrativistas (não que eu não goste, mas que acho importante que haja tipos diferentes de jogos). Eu estou ansioso para ver este jogo progredir, espero que o Rodrigo se anime em escrever mais e melhorar seu jogo. Parabéns pelo trabalho!

 Integrantes Secular Games

Rally Mortal é uma agradável surpresa. O texto inicial deixa clara a sua proposta: aventuras que envolvem as corridas do Rally Mortal em um futuro pós-apocalíptico, tanto dentro quanto fora das pistas, aproveitando-se de clichês de jogos e desenhos animados do passado.

Seus principais temas foram esportes (a corrida em si), jornada/labirinto (tanto as corridas quanto o campeonato, que se passam por regiões atualmente desconhecidas), navegação (considerando a utilização das pistas e da orientação das regras pelo uso de dominós) e Tribos (as equipes de corrida).

O maior destaque do jogo é seu sistema de narrar as corridas, baseados no uso de peças de dominó e carrinhos de brinquedo estilo Hot Wheels, que não apenas foi muito divertido de ler, mas demonstrou um uso muito criativo da metalinguagem dos jogos. Auxílios visuais são bem vindos, especialmente alguns tão divertidos quanto esses.

As regras fora das pistas são simples e funcionais, e a criação de personagens mostra o quanto o sistema é focado em sua proposta, utilizando Pilotagem e Navegação como atributos principais de um PC. As regras de construção de veículos são um pouco mais detalhadas, dando-lhes o foco merecido, porém, ficaram um pouco incompletas em suas listas, faltando descrições e custos de vários itens especiais. A mecânica de evolução é muito inteligente, pois propõe que o personagem faça coisas cada vez mais complicadas e arriscadas para evoluir a partir de certo ponto, no qual ele já é muito bom no que faz.

Infelizmente, apesar do sistema de regras brilhar nas pistas, fica a sensação de que faltou algo quando levamos os personagens para fora de seus carros, uma situação que vai acabar durando mais tempo do que as próprias corridas durante as partidas. Fosse um boardgame, seria perfeito em sua limitação ao seu foco, mas para um RPG, fica uma sensação de incompletude.

Além disso, o tema das equipes foi trabalhado de maneira extremamente superficial, pincelando a forma de elaborar (em termos narrativos) seus componentes, e listas de equipes oficiais do cenário. Poderiam haver regras que ligassem a equipe ao personagem e à corrida, unificando o sistema de jogo e trazendo uma sensação de imersão mais profunda. Faltou também algum integração proposta no Questionário (como penalidade para jogadores que matem NPCs, e não apenas destruam seus carros – que poderia ser ainda mais legal com a adoção de um sistema não-mortal, como Toon).

O cenário ficou muito raso, e tanto ele quanto as descrições das equipes usaram os clichés propostos de maneira um tanto superficial. Considerando que a cultura pop foi a base do cenário, faltou um tempero a mais para que ele fosse ainda melhor.

Enfim, trata-se de um diamante bruto, que requer um pouco de trabalho e lapidação, mas que possui um grande potencial. Esperamos sinceramente que o autor continue desenvolvendo-o para lermos suas próximas iterações.