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Avaliações – O Mundo das Páginas em Branco

Avaliações – O Mundo das Páginas em Branco

Juiz Convidado: Marcos Silva

Escrito de modo a proporcionar uma leitura agradável, o jogo de Tarcísio Lucas traz como proposta uma dimensão imaginária, onde as criações literárias existem, e até buscam tornar-se independentes de seus criadores. O projeto é bem corajoso, tentando por em prática uma aproximação entre ideias ligadas à literatura , criação literária, mecânicas simples e RPG.

Sei que deveria tentar fugir de alguns tipos de comparações, mas não consigo deixar de pensar na ideia do jogo como sendo uma agradável mistura de “O Mundo de Sofia”, “A liga extraordinária” e “Castelo Falkeinstein”.

Esse mundo fantástico nos é apresentado por Mortmer, que relata o desaparecimento de seu melhor amigo, Regios Petrus Gorgeus, em uma das sessões de obras antigas do sebo onde trabalha, o Sebo Páginas em Branco.

O artifício de que Regios utiliza um Blog na internet para se comunicar com seu amigo é uma ideia curiosa, já que o blog realmente existe. O truque acaba servindo também para expandir o projeto para além das 34 páginas do PDF.

Em alguns momentos percebemos que o jogo ainda é um projeto em processo de desenvolvimento. Diversas ideias muito interessantes ainda precisam ser amadurecidas, principalmente quanto ao cenário. O blog acaba servindo como um complemento e supre parte dessas lacunas. Mas, acredito que apenas o PDF deva ser considerado para a análise durante o concurso.

O quão completo é o jogo?

O Mundo das Páginas em Branco nos é apresentado, enquanto cenário, como um mapa e suas “terras temáticas”. Apesar de entender o proposito que inspira cada uma dessas regiões, acredito que a descrição desses cenários ainda se mostra bastante embrionária. Quando penso nas descrições de cada terra, percebo que, para que elas funcionem como ferramenta narrativa eficiente, parece ser necessário um certo esforço do narrador, quando esse é necessário, e dos demais jogadores. Embora considere bastante promissor todo o potencial do cenário, para o desenvolvimento de uma mitologia própria.

A criação de personagem é bastante simples. Tendo seu conceito baseado no conceito dos atributos Possibilidade, para medir o que um personagem é capaz de fazer, e Identidade, representando o quão livre e independente do escritor o personagem é.

Além de apresentar um cenário e informações suficientes para criação de personagens, o jogo tem um conjunto de mecânicas simples, porém ambiciosas, quando chega a propor três “Modos de aventura”. No método mais convencional, temos um narrador conduzindo a estória. Como segunda opção, temos “Aventuras Independentes”, sem um narrador principal. E temos ainda um outro método mais livre, baseado na brincadeira “Stop”. As regras para resolução de conflito baseiam-se na rolagem de apenas 1d6. Há ainda o apoio de uma mecânica para descrição do cenário e situação, a “Tabela-alfabeto”. Além disso, podemos ter mecânicas específicas para cada região do cenário.

Temos todos os elementos básicos para condução de uma sessão de jogo. Embora o cenário precise ser melhor desenvolvido e as regras um pouco mais “amarradas”. Em alguns momentos o excesso de simplicidade e de liberdade me faz sentir dificuldade de perceber melhor qual será o mote de uma sessão de jogo.

Nota: 6,0

Uso dos Temas:

O Mundo das Páginas em Branco possui quatro continentes, As Terras da Ciência, As Terras da Jornada do Herói, O Terrível Labirinto de Palavras (meu preferido) e O Grande Oceano das Ilhas Navegáveis. Temos ainda uma menção rápida a uma região pouco conhecida, a das Páginas atrás da Página, onde podemos encontrar as Terras do Luto, As Terras Tribais, As Terras do Coração e As Terras Atléticas. Como podemos perceber, essa foi a maneira que o autor encontrou para empregar os temas sugeridos pelo concurso em seu jogo.

Como já disse antes, os cenários não chegam a ser completamente bem desenvolvidos. De maneira que, no atual ponto de desenvolvimento do projeto, alguns deles podem soar apenas como uma sugestão. Mesmo ainda precisando se desenvolver melhor, temos o caso do Terrível Labirinto de Palavras, uma região com regras opcionais próprias, pensadas para suportar melhor o conceito do cenário, que utiliza muito bem o tema labirinto. Gosto da ideia de como essa última região se integra ao tema e até mesmo ás regras, embora ache que a mecânica nova (mesmo sendo opcional), apesar de boa, não parece muito integrada com a mecânica básica do jogo.

Nota: 7,0

Afinidade entre Regras e Conceito:

Percebe-se a intenção de se ter mecânicas simples e baseadas em conceitos poucos usuais, o que pode permitir ao projeto do jogo possibilidades novas e interessantes. No entanto, a diversidade de opções de “modos de jogo” pode ser percebida de maneira confusa. Talvez deixando inclusive uma sensação de “o que eu devo fazer com isso tudo”, ao final da leitura do jogo. O jogo apresenta algumas mecânicas simples, mas, em alguns momentos, elas parecem pouco “amarradas” entre si. São diversas ideias simples e interessantes, porém tive a sensação de que estavam pouco coesas.

A mecânica da “Tabela-alfabeto”, aproxima-se bastante das ideias apresentadas em outro projeto participante do último concurso, Onírica. Acredito, inclusive, que a própria mecânica utilizada em Onírica poderia ser muito bem aproveitada no Mundo das Páginas em Branco, sem maiores problemas.

O conceito de Identidade, o principal ( e na prática único) atributo do personagem, talvez pudesse ficar mais claro, e eficiente durante o jogo, se ele não possuísse variação binária, para efeitos mecânicos. Ou um personagem atinge 40 pontos, e está livre do escritor, ou ele chega a -10 e deixa de existir. Entre esses dois limites, o jogo simplesmente continua, sem que a Identidade cause maiores efeitos. O fato de termos o principal atributo variando majoritariamente com relação aos acertos e erros encontrados nos lances de dados, pode enfraquecer seu conceito. Talvez fosse interessante termos algum outro tipo de recompensa atrelada a variação do atributo Identidade, ajudando o jogador a perceber melhor do que trata o jogo.

Nota: 5,0

O Mundo das Páginas em Branco tem potencial para se tornar um jogo de temática interessante e simples. Desses jogos que são bons para apresentar o RPG a novos jogadores o conceito mais importante do hobby, o de que trata-se de um jogo de contar estórias em grupo.

Avaliadores Secular Games

O Mundo das Páginas em Branco é um jogo com uma premissa totalmente interessante e intrigante, que já se inicia “in character”, com o autor quebrando as barreiras entre ele e o seu personagem, contando-nos uma história sobre o estranho mundo “do lado de lá” das páginas dos livros. Isso tudo foi ainda mais interessante porque a história cita um blog através do qual amigos desaparecidos do autor se comunicam com ele, de um outro mundo, e esse blog foi efetivamente criado e alguns posts elaborados, em uma bela experiência multimídia, quase um marketing viral.

Basicamente, os jogadores são pessoas que o autor conheceu em algum momento em um clube do livro localizado em um sebo de sua cidade, e que desapareceram nesse mesmo sebo, sem nenhuma pista encontrada pela polícia. Através do blog já citado, eles entram em contato e informam que agora são personagens em histórias já escritas ou que ainda serão escritas, e lá vivem diversas aventuras para salvar aquele estranho mundo, onde seus pensamentos podem tornar-se realidade. Após este primeiro grupo cair no lugar sem querer, o autor do livro começa a enviar mais pessoas para lá, de forma a salvar aquele mundo de diversas ameaças e, consequentemente, a maior quantidade de histórias possível.

O Mundo das Páginas em Branco é dividido em quatro continentes, um para cada tema que o autor resolveu abordar para o concurso (ciência, jornada, labirinto e navegação), o que, no lugar de enriquecê-lo, acabou empobrecendo de certa forma a experiência. No lugar de incontáveis diferentes cenários a serem visitados, existem quatro continentes, sobre os quais apenas uma página é escrita para cada um, insuficiente para instigar até mesmo ideias para aventuras.

O sistema é bastante interessante, dividindo as jogadas entre ações do autor e ações do personagem, sorteando letras do alfabeto com as quais criar palavras-chave que vão amarrando a história usando um lance de dados. Uma mistura dos conceitos de Onírica, participante do concurso de 2011, com as mecânicas de Once Upon a Time, cardgame de contar histórias. Existe também a figura do editor, que precisa fazer com que todas as ações descritas pelos jogadores na mesa façam sentido, fechando a história.

Os personagens são divididos em identidade, que define seu livre arbítrio e pode variar durante as sessões, e possibilidade, que determina suas chances de sucesso em outros tipos de testes que não sejam os acima descritos.

As divisões em diferentes tipos de aventuras (editor, independentes e stop). A primeira usa um conceito mais conservador de jogadores mais mestre, o segundo já remove a figura do mestre e a história pode ficar tão sem pé nem cabeça quanto os seus contadores puderes, e a versão stop é divertida porque é baseada no jogo infantil de mesmo nome, durante o qual cada jogador tem uma lista de palavras e vai marcando-as enquanto vão sendo usadas na narrativa, interrompendo o jogo assim que todas as suas forem utilizadas.

É um jogo com excelentes ideias, mas que ainda precisam ser bastante trabalhadas e refinadas, principalmente fora do contexto do concurso no qual foi limitado ao escopo dos temas oferecidos. Sinceramente, com a liberdade de avançar o jogo em qualquer direção, acreditamos que o autor pode transformá-lo em uma verdadeira obra prima, mas sua encarnação atual ainda deixa algumas pontas soltas não amarradas.

E se você quiser saber o que acontece com os personagens no Mundo as Páginas em Branco, sugiro ver o que foi que eles andaram dizendo no Blog do Regius!

 

Um comentário

  • Tarcisio disse:

    Opa!!!!!!!!!!Concordo em tudo com a análise, achei bastante coerente e ,na verdade, traduz bem o que eu mesmo analisei do jogo depois de te-lo escrito!!!
    Valeu aí, galera, espero que a partir de agora o grupo de playtests e comentarios me ajude a evoluir a idéia do jogo até algo bastante sólido!