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Avaliações – Minotauros no Espaço

Avaliações – Minotauros no Espaço

Juiz Convidado: Ricardo Tavares

Tenho um amigo que tem uma certa razão quando diz que todos os RPGs são melhores quando se passam no espaço. “Piratas cibernéticos montados em dinossauros combatendo nazis no espaço!” é sempre melhor do que só “Piratas cibernéticos montados em dinossauros combatendo nazis”. Se “Minotauros no Espaço” (ME) de Victor Carvalho se chamasse só “Minotauros” não era a mesma coisa. Aliás, de acordo com as lendas gregas, o minotauro que guardava o labirinto de Creta chamava-se Astérion, um nome que pode mesmo significar “senhor das estrelas”.

Lendo as primeiras páginas do texto de Victor Carvalho, parece-me que os temas escolhidos por ele terão sido Labirinto, Tribos, Jornada e Navegação. Se minotauros assustadores surgem em labirintos espaciais, os dois primeiros temas ficam claramente propostos, mas falta algum contexto para os últimos dois. Que viagem estará por cumprir e que desafios ela trará? Tenho a impressão que a inspiração central para este RPG foi o tema Labirinto enquanto os outros três temas ficam com a tendência para se tornar acessórios.

Também logo na primeira impressão, há um toque de humor ou, pelo menos, uma inocência pulp que o título “Minotauros no Espaço” me dá e que é depois bem explorado quando o autor apresenta primeiro a ambientação do ponto de vista da raça humana e a seguir dando voz aos próprios minotauros. Na descrição da cultura minotaurina, se confiarmos no ponto de vista da raça humana, a ligação temática entre os labirintos e as tribos é diminuída pela indicação de que múltiplas tribos podem viver na mesma terra-natal, no mesmo labirinto. Penso que seria mais interessante cada tribo ter o seu próprio labirinto, defender o seu território e assim cada minotauro ter características próprias (na sua aparência e na sua cultura) relacionadas com o local onde veio ao mundo. Além disso, se “eles são criaturas de comportamento sedentário” como é que “sua cultura parece estar muito ligada a exploração, navegação e busca”? À partida, parece-me que, se uma tribo de minotauros ocupar uma gigantesca estação espacial em órbita de um planeta abandonado, eles não vão fazer grandes viagens espaciais quando teem logo debaixo deles um enorme território cheio de tesouro para o seu labirinto, a menos que a sua religião os levasse a procurar um santo graal qualquer, o que é pouco provável tendo em conta que a Arquitetura do Existir lhes permite encontrar qualquer tesouro dentro de qualquer material.

Quando o texto muda para dar voz aos minotauros, este paradoxo dos “exploradores sedentários” é explicado como um comportamento instintivo de épico colecionismo que define a sua existência, mas “viajar aleatoriamente por um sistema estelar” ou “sair em busca de novas coisas” tem mais a ver com um possível tema de Viajar do que com Jornada ou Navegação, porque sugere aquele prazer de partir sem rumo nem destino e de se perder na imensidão do universo priveligiando a descoberta de novas experiências e não o cumprimento de um propósito e de uma rota pré-determinados. No entanto, este novo tema é sem dúvida interessante e é fascinante a apresentação dos labirintos como “uma biblioteca viva, memórias pulsantes de suas viagens”. É aqui que o texto de ME começa a dar vontade de ser jogado.

É também pela voz dos minotauros que a questão das tribos diferentes dentro do mesmo labirinto é explicada: o aparecimento de cada minotauro no universo é marcado não só pelo seu labirinto de origem, mas principalmente pela Litania que ele representa, pela parte da realidade cujos rituais a sua tribo domina. É também nesta explicação sobre a Arquitetura do Existir que o tema Viajar é reforçado pela indicação que os minotauros aprendem tudo a partir da experiência de descobrirem e desmontarem coisas novas. No entanto, o tema das Tribos que eu julgaria estar baseado na ideia de que o labirinto de um minotauro é a sua família perde-se um pouco quando as tribos não são mais do que uma espécie de Guildas das várias profissões que a raça necessita de exercer para interagir com a realidade. Da mesma maneira que se calhar uma aldeia só tem um posto dos correios e um restaurante, enquanto uma vila já tem também uma escola e uma clínica, os labirinto mais pequenos só terão duas ou três tribos e os maiores já terão todas as Litanias representadas.

Na criação das personagens, as várias Litanias são mais uma vez descritas de uma forma apelativa e inspiradora. Estas são essenciais na caraterização de cada minotauro, um processo simples de distribuição de pontos que o ligam intimamente ao seu labirinto. Não é explicitamente indicado se um minotauro tem de ter o seu nível mais elevado correspondente à Litania que o jogador escolher para ele, mas suponho que sim. Como RPG, ME segue o habitual modelo de party juntando os vários protagonistas num Bando cujo potencial será maior se cada jogador um fizer um minotauro pertencente a uma Litania diferente.

O sistema de ME é um simples rola e soma para atingir um número-alvo em que o lançamento é feito com 2d6, a soma rondará um valor de +3 e o número-alvo terá uma dificuldade média de 7. Deste modo, o fator variável vai de 2 a 12 sendo mais prováveis os números próximos de 7, por isso os minotauros não teem nem precisam de ter níveis muito elevados para facilmente conseguirem um sucesso, especialmente tendo em conta os bónus que ainda recebem pelos rituais, pela Litania a que pertencem e pela arma/armadura/talismã que possam usar. No caso específico da perigosa Litania do Vácuo, qualquer lançamento tem uma probabilidade de 16.66% (2d6 com faces iguais) de dar dano ao seu minotauro, sendo que esse dano é potencialmente maior quanto melhor for o nível dele, pelo qual não valerá a pena investir muitos pontos nela.

O sistema de dano é curioso no modo como combina hit-points, perda de atributos e um teste de resistência para nos dar uns minotauros que só morrem a partir da décima bomba quântica que levarem nos cornos. No entanto, antes de morrerem, vão perdendo os pontos que tiverem alocados nos vários níveis das suas Litanias pelo que não sei se, conforme diz no texto, um minotauro será praticamente indiferente ao dano que leva. A questão é se compensa investir níveis na Litania do Existir quando aparentemente todos antagonistas dos minotauros morrem ao primeiro golpe (pelo menos, não encontro a indicação de terem pontos de vida semelhantes aos pontos de Labirinto). Quanto à recuperação do dano, a frase “Um minotauro que perdeu seus ponto de labirinto por causa de dano ganham o dobro de pontos de labirinto no final de uma sessão, até conseguirem alcançar seu valor antigo, antes de serem danificados.” é um pouco confusa, mas parece-me ser muito fácil recuperar estes pontos.

ME parece ser muito divertido de jogar, mas difícil de mestrar, pois não tem propriamente uma estrutura narrativa que possa guiar o mestre-jogo. Quer dizer, há alguma estrutra no ritmo dos pontos de Labirinto que leva os minotauros a viajarem pelo universo e a depois regressarem a casa para aumentarem as suas Litanias, mas esta narrativa de aventuras episódicas é só uma entre muitas propostas pelo texto, chegando ao ponto de sugerir minotauros nobres ou cientistas. As tabelas de equipamento com armas vs armaduras parecem priveligiar um jogo de combate, mas os valores apresentados são irrelevantes na medida em que se anulam a eles próprios, ou seja, para cada nível de Mente, os bónus para atacar são iguais aos bónus para defender e assim é possível ignorar o equipamento quando ambos os lados estão ao mesmo nível.

Deste modo, o mestre-jogo terá pouco interesse em criar adversidade para os jogadores através de confrontos táticos, na medida em que, se os lados opostos estiverem equiparados, é só uma questão de ver quem tem mais sorte aos dados e aí os minotauros estão em vantagem, porque podem sempre perder antes de morrer e os antagonistas não. Para criar um mínimo de adversidade em combate contra os minotauros, o mestre-jogo terá de colocar antagonistas muito mais fortes, daqueles que acertam sempre que e nunca são atingidos, o que resulta num desafio pouco divertido. Assim sendo, é nas interações sociais, culturais, económicas, científicas, etc. que o mestre poderá jogar com os minotauros, pois é nestes domínios que conseguirá criar um mínimo de adversidade interessante.

Se o gozo de ME não está no combate tático, mas na exploração da sua premissa e do seu mundo, o espaço ocupado pelas regras de equipamento serviria melhor o jogo se ajudasse o mestre e os jogadores com regras que acentuassem o propósito deste RPG, mas penso que o texto mostra alguma indecisão entre apostar num lado mais leve, mais pulp e mais cómico ou ir no sentido de uma cena mais mística, mais misteriosa e mais assombrosa. Esta é uma encruzilhada que dá ainda mais trabalho ao mestre-jogo que certamente agradeceria ter regras que suportassem ou um lado ou o outro.

A ambientação de ME é o seu grande ponto-forte na medida em que, na minha opinião, combina temas como Labirinto, Viajar, Guildas e Materialismo. Este último é dos mais interessantes, pois revela-se não só no domínio que os minotauros teem sobre a matéria, mas também porque nos é dado a entender  que, do seu lado, os seres humanos se deixam dominar por ela perdendo-se em guerras por territórios e enchendo-se de implantes cibernéticos. Penso que este tema está escondido dentro do jogo e merecia ser mais aproveitado, sendo especialmente interessante se fosse possível incorporar-lo na mecânica-base deste RPG. Não seria apelativo se, tal como os minotauros montam e desmontam a realidade, os jogadores pudessem montar e desmontar números, dados ou qualquer coisa para determinar o resultado dos seus testes? Sugeria ao Victor Carvalho que analisasse a hipótese de se usar uma torre de Jenga, pois ela é uma metáfora de como os minotauros veem o universo a evoluir à medida que eles tiram e arrumam as suas peças. Outra hipótese também poderá ser usar dados que sejam “desmontáveis” como pegar num d20/12/d8 e dividir-lo em 2d10s/d6s/d4s. Já agora, porque não um cubo de Rubik? Ou peças Lego?

Este RPG pode não seguir a cem por cento os vários temas propostos pela Secular Games e, por isso, devo classificar-lo com um 6 quanto a esse critério, mas não hajam dúvidas que ME é um jogo com  temas originais e cativantes que merecem ser potenciados ao máximo. Quanto a isso, este texto parece-me estar suficientemente completo para ser experimentado, apesar de eu pessoalmente lamentar que seja posta tanta carga em cima do mestre-jogo e, por isso, classifico-o também com um 6 em relação a este critério. Finalmente, penso que entre as regras e o conceito do jogo há pouca afinidade, classificando este critério igualmente a 6, mas o potencial do seu conceito é impressionante e certamente irá inspirar o seu autor a juntar-lhe as regras de que necessita para ser um excelente RPG. Parabéns ao Victor Carvalho pela incrível ambientação! Espero que, seguindo a Arquitetura do Existir, faça um bom playtesting deste jogo e sinta nas suas mãos aquilo que quer fazer com ele.

Avaliadores Secular Games

Minotauros no Espaço é um jogo que, à primeira vista, me pareceu uma grande piada, estilo Paranoia, Toon ou HöL. Após uma cuidadosa (e prazerosa)  leitura, que surpresa boa ao me deparar com um jogo cuja temática completamente despirocada foi utilizada de forma séria, gerando um universo de ficção científica que varia entre o tenebroso, o aterrorizante, o aventuresco e o simplesmente estranho demais para ser verdade.

Basicamente, em um futuro durante o qual a humanidade estava a conquistar as estrelas, os Minotauros começaram a surgir em lugares subterrâneos como esgotos e estações de metrô, que estranhamente se transformavam em labirintos alienígenas que iam crescendo junto com o poder de seu dono bovino. Isso ocorria na medida em que o Minotauro saía de seu lar para realizar jornadas em busca de todo tipo de itens, bugigangas, tecnologias, obras de arte e até mesmo lixo, qualquer objeto que ele considerasse uma boa adição ao “tema” de seu labirinto. Basicamente, eles formam uma raça de decoradores espaciais ou algo do gênero (se me perdoam a piada).

Apesar de totalmente alienígenas tanto em aparência quanto em costume, a humanidade, que inicialmente rejeitava as criaturas, passou a aceitá-las em seu meio. Ambos conseguem coexistir com poucos atritos, mas não são capazes de se compreender, o que acaba gerando conflitos e problemas, principalmente quando um Minotauro quer algo que um humano não tem a intenção de lhe entregar (podendo até mesmo ser uma parte de seu corpo).

Os Minotauros possuem uma cultura bastante interessante, dividida e regida por suas litanias, que também identificam seus atributos – uma das sacadas mais geniais e imersivas do sistema. Quer atacar alguém? Use sua Litania do Sangue, sua ligação com o combate e habilidades físicas. Se o personagem recebe danos, sua Litania de Existir é afetada, uma vez que eles não são exatamente como os outros seres vivos, e possuem uma existência metafísica que utiliza regras diferentes das outras criaturas. Ideia excelente e com uma boa implementação.

O sistema de regras é bastante simpático, puxando alguma ideia de Apocalypse World – rola-se 2d6, e seu resultado é somado ao atributo do personagem, concedendo efeitos diferentes de acordo com o valor final dessa operação. Simples e ágil.

O capítulo que tem listas de armas e espaçonaves parece desperdiçado, desnecessário diante da complexidade dos seres minotáuricos aos quais somos apresentados, e seus poderes poderiam ser mais interessantes e diversificados, além de buscarem um contexto um pouco diferenciado. Devo admitir que minotauros que possuem o poder de voar não me atraem de forma alguma em um jogo que tenta ser um sci-fi sério, com uma pegada das raças alienígenas retirada de Wahammer 40k, como o próprio autor cita em suas influências.

Enfim, acreditamos que faltou um pouco mais de tempero. Faltou o autor aceitar que estava fazendo um RPG completamente bizarro e fugir do usual, das listas de armas e veículos, armaduras e itens, e estabelecer conceitos ainda mais estranhos, mais alienígenas, mais bizarros, dar aquele passo a mais para o jogo indie conceitual, apresentando-nos a oportunidade única de sermos Minotauros no Espaço!!

 

3 comentários

  • Victor Gaigaia disse:

    Hora de dar meu parecer: esse rpg não era para vencer. Verdade dita, não ia vencer e eu sabia bem disso. Por quê? Quando comecei a ter ideias sobre o que fazer, vieram-me as mais variadas possibilidades. E cada uma que vinha era recepcionada com uma careta de minha parte. A verdade é simples: Não gosto e, mais que isso, me desagradam bastante os rpgs ‘diferentes’. Eu consigo até lê-los e respeitar suas qualidades, mas jamais os aceitaria jogar. Rpgs como Dogs in the Vineyard, ganhador de prêmios, é para mim um convoluto e intragável sistema de resolução de ações. Rpgs como Dead Eye, onde as resoluções das ações são feitas com jogadas de Poker, são igualmente interessantes, mas que eu jamais jogaria.

    Rpg, para mim, é uma narrativa criada pelo grupo, com os impasses regidos pelos dados. Meus sistemas mais adorados são Risus, Falkenstein, Fudge, Trollbabe e Apocalypse World (tirando a questão das jogadas sexuais que são, apesar de correlatas ao tema do jogo, ridículas ao meu ver). São rpgs simples, fáceis e elegantes.

    Quando se tenta fazer algo além disso, ao meu ver, interfere-se na construção da história. Perde-se o objetivo central do jogar rpg. Nesse ponto, a pergunta a ser feita é: Você quer jogar rpg ou outra coisa?

    Se você quer jogar um rpg inusitado, com regras que o tornam mais um jogo de tabuleiro diferente que um rpg, então jogue um jogo de tabuleiro. Se você quer jogar um jogo de rpg com 5 bilhões de ataques irrelevanes (cof cof, D&D 4a edição, cof cof), jogue um MMORPG ao invés disso (como Wow ou Diablo II). Se você quer jogar um jogo de estratégia narrativa, então jogue DeD 3a, Battletech, Warhammer Fantasy ou similares.

    Assim, deixei de lado as ideias que tive, inclusive a minha ideia original: onde os jogadores seriam membros de tribos que vivíam cegamente dentro de uma caverna e que, num coletivo exploratório, sairíam para o mundo exterior explorar. Seria uma alusão à Caverna de Platão, e o mundo exterior teria diversas ruínas com símbolos e nomes abstratos, como Corda, Pneu, Voar, que iriam construir os itens para continuar a jornada. Uma alusão à busca humana através da ciência e iluminação.

    Mas essa ideia foi deixada de lado porque eu resolvi fazer um jogo que eu aceitaria jogar. Um jogo narrativo, onde os jogadores criam personas com atributos simples e a jogada de dado seria simplesmente para mostrar “hei, vc fez bem isso ou aquilo” sem precisar de análise, sem precisar de marcadores, sem precisar de miniaturas, sem precisar de relógios, pintinhas, pinturas, pedrinhas coloridas, búzios, moedinhas etc etc.

    Com essa decisão consciente, jamais iria ganhar. Por um momento, até pensei em usar isso ao meu favor e fazer um rpg de contadores, onde os atributos seriam de progressões absurdas e a jornada dos jogadores seria encontrar a ‘progressão perfeita’ juntamente com a ‘contabilidade de deus’. Mas, novamente, não iria me sujeitar a fazer um jogo que eu não gostaria.

    E eu jogaria Minotauros no Espaço? Claro que não. As regras são MUITOS ruins. É de dar pena, e de dar nojo que eu tenha escrito algo tão besta e ruim. As armas SÃO irrelevantes. Em verdade, tudo é irrelevante; a não ser o cenário.

    ASsim, repetindo a pergunta: Eu jogaria minotauros no Espaço? Retire todas as regras, considere os atributos sendo as litanias e jogue como se fosse Risus. Sim, eu jogaria.

    O jogo é uma comédia? Eu o fiz para ser sério. Mas ele tem propensão para ser jogado com um humor negro fortíssimo. A humanidade é igualmente a escória que é no presente, só que com bombas quânticas para dar e vender. Em outras palavras: ainda idiotas, só que agora idiotas cósmicos no espaço com bombas. E a ironia de algumas colônias humanas tomarem como moda alterarem seus corpos para se parecerem com minotauros é de um sabor bastante peculiar.

    Agradeço a Ricardo pela crítica, mas jamais eu usaria elementos além de dados em meu rpg, e jamais usaria mais que um tipo de dado. Mesmo jogando AD&D eu costumava só usar o d20. Falaste-me para fazer um bom playtest dele e sentir assim o que quero fazer com ele. Eu sei o que quero fazer com ele: a história.

    Tome para si aquele que quiser mudar o sistema e modificar o cenário. O sistema é lixo, e ao lixo deve ser logrado sem muita cerimônia. Alguém que tiver tempo para gastar nessa minha estúpida ideia, sinta-se livre. Fará um trabalho melhor que o meu.

    Contudo, lego o seguinte, deixo o seguinte: O que é minotauros no espaço? Os minotauros são os ecos da alma humana. Nascidos em seus esgotos, suas estações abandonadas, em seus becos destruídos no espaço, são o grito primitivo da aventura infinita, da busca eterna, do espírito competitivo, do bem comum, do amor comunitário e da consciência de raça que a humanidade esqueceu, com seus implantes biológicos intrusivos e perverssivos. Quanto mais o Governo Galático tentou destruí-los, mas forte ficaram e mesmo uma nova tribo nasceu. A humanidade, quanto mais tenta forçar-se a um individualismo suíno e ignomínico, mais deturpa-se a si própria de seu caminho.

    E minotauros no jogo resistem a bombas nucleares super-quanticas? Sim. O dano é irrelevante, o dano físico é uma piada. Como eles próprios são. Eles são o espírito humano do mito que não vai morrer, e que vai mostrar à humanidade sua insipiência vadia. Tudo morre com um unico golpe, exceto minotauros. Tanques, naves espaciais galáticas. Tudo é lixo. Tudo é irrelevante, tudo é bazófia de uma humanidade corrupta.

    Esse é o Wally escondido detrás desse rpg. A história de um grito profundo tentando despertar uma inumanidade que se arrasta pelo cosmo. Vocês conseguiram achá-lo, o Wally?

    Todo o resto, o dito ‘sistema’, é irrelevante. Toda a comédia inerente do jogo, um despiste, um jogo de espelhos.

    Espero que isso tenha sido relevante para vocês.

    Atenciosamente,

    Victor Gaigaia

  • Scizornl disse:

    Esse jogo é o primeiro que vislumbrei e ainda acredito no potencial como o Gaigaia abriu as portas eu desejo fazer aqui um pedido:

    Agregar o material para o estúdio House Rules ou senão eu mesmo assumo o projeto para 2013 para um pacote de aventuras para 3:16 ou até uma engine prórpia.

    Está de acordo Gaigaia? E outra coisa, saudades do tempo do iRPG. Abraços.

    • Victor Gaigaia disse:

      Tendo Clio por testemunha, concordo com sua ideia, sob as seguintes condições: a) Em alterando algum conceito ou parte integrante do cenário, que matenha a coesão e o espírito do jogo intacto; b) Que me mantenha informado sobre o projeto e que também eu possa atuar nele.

      Eu gosto muito do 3:16 e é um dos meus sistemas favoritos, apesar de que eu alteraria algumas coisas (como, por exemplo, a progressão de dano das armas mudarem os dados. Poderia simplesmente serem jogados mais dados, ou fazer 1d6x10, por exemplo, ou 2d6+1 etc).

      Mas sim, gostaria muito de ver o Minotauros no Espaço como título a ser trabalhado. A idéia, o cenário e o sentimento são bons. A aplicação das regras não o é. Desde que eu possa ver o trabalho e dar meu parecer, vocês podem usar o cenário e mudar as regras ou usar outras completamente diferentes.

      E eu me lembro do tempo do irpg, e a pouca fama que lá recebi foi em decorrência dos meus cenários, rs. Meu Sete Cordas, Ancaladax, Sombra dos Colossos e Raldia ainda são lembrados de vez em quando, rs. Sempre aproximei-me mais de um contador de histórias do que de um contador, haha.

      Você ainda tem meu e-mail? Pode sempre manter contato: victor.mamede@hotmail.com.

      No momento, estou estudando línguas (terminando de aprender latim, vendo se aprendo grego, koreano, mandarim ou russo) e procurando projetos de rpg para ajudar como tradutor ou mesmo opinador, dando idéias. Eu sou um bom escritor de histórias, não tanto de regras e afins – mas posso ajudar a escrever sistemas. Se lembra do tempo do irpg que eu conhecia quase 100 sistemas diferentes? Atualmente são quase 200, rs.

      Enfim, tentando-me poder a prolixidade, tens sim o meu concordar.

      Abraços cara,

      Victor Gaigaia