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Entrevista sobre o Mamute

Entrevista sobre o Mamute

Poucos dias antes da RPGCon, quando finalmente todos os artigos do Mamute #01 estavam terminados e tinhamos certeza que o fanzine seria realmente lançado no evento, o nosso chapa J.M Trevisan sugeriu fazer uma entrevista para explicar um pouco como seria a proposta e pegada do zine. Topamos imediatamente e o Giltônio se encarregou de responder as espertas perguntas! Acabou que a entrevista ficou tão legal que pedimos ao Trevisan para colocá-la na integra por aqui, o que ele gentilmente topou!

J.M: Antes de tudo: de onde veio o nome? Mamute é um puta título foda para uma publicação de RPG. Sai do lugar comum.

Bem, o nome Mamute tem duas histórias: uma mais interessante e outra mais verdadeira. A mais interessante é que pensamos no bichão como um gigante pisoteando o status quo, bagunçando os lugares por onde passa, provocando impacto e sendo, em geral, bem difícil de não notar.

A história mais verdadeira é que a sonoridade é divertida. Como você disse, sai do lugar comum, e ninguém conseguiu pensar um nome melhor até os 45 do Segundo Tempo! Nesse caso, por que não?

J.M: Explica aí para quem não sabe: o que é e qual a proposta do fanzine?

Bom, a idéia surgiu de uma reunião da Secular alguns meses atrás. A gente sabia que queria publicar livros de RPG, mas também sabíamos que não era só isso. Começamos com a Secular escrevendo livros cheios de regras pra D&D/d20, precisávamo marcar o giro para algo menos convencional e mais autoral. Nesse sentido, pensamos: o que é mais autoral que um fanzine?

O Mamute é uma coleção de idéias, algumas meio insanas, outras muito sérias, mesmo que todas tenham essa cara de sátira. Tentamos mostrar aos leitores que o princípio de “faça você mesmo” é real, e que uma publicação sobre RPG pode ser mais do que regras opcionais, aventuras e afins.

O pessoal que faz o Mamute, assim como o leitor, já jogou RPG chapado, gosta de Metal e queria uma coleção de caixas de AD&D!

J.M: Dá aí um exemplo de matéria que o leitor vai encontrar neste exemplar do Mamute.

Logo de cara, o leitor vai encontrar o guia de degustação mais divertido de todos os tempos. Atendendo a um pedido nosso, o Daniel (mestre dos RPGs bizarros e da fabricação de cerveja) escreveu um belo artigo sobre qual tipo de cerveja é ideal para cada jogo de RPG. Todo mundo já ouviu falar em harmonizar comidas e bebidas, mas harmonizar bebidas e jogos tenho certeza que é novidade!

Agora, confesso que escolher apenas uma é difícil, então aconselho os leitores a também ficarem de olho no tutorial do Antônio “Pop” sobre como fazer caixas no estilo clássico da TSR, e na matéria do Remo sobre fantasia com temática brasileira.

A primeira representa bem o espírito “faça você mesmo” que queremos passar, e a segunda vai deixar muita gente que torceu o nariz para O Desafio dos Bandeirantes no mínimo curiosa.

J.M: Mamute é só uma edição especial ou a ideia é manter a publicação rolando? Qual a periodicidade?

Olha, essa é uma pergunta difícil. Agora que conseguimos tirar o primeiro do papel, acredito que a chance de ter novas edições aumenta muito. Era importante pra gente lançar a primeira edição na RPGCon, e isso já está certo. De resto, não assumimos um compromisso com periodicidade, mas queremos mais. Ou seja, vão haver novas edições? Sim.

Quando sai o próximo? Quando sentirmos que o momento é certo, o conteúdo reunido é bom e os outros fatores das nossas vidas não estiverem interferindo demais com a nossa sina de produzir RPG!

J.M: Como foi a escolha da equipe? E a experiência de editar seu próprio material?

A equipe base do Mamute (Eu, Garrell, Tiago e Rocha) já trabalha em conjunto faz um bom tempo, e todos deram sua contribuição para o fanzine, mas sabíamos desde o princípio que queríamos convidar várias outras pessoas para escreverem conosco.

Assim, fomos redigindo uma pauta, incluindo pessoas que queríamos que escrevessem e temas que gostaríamos que fossem abordados. Quando tínhamos a pessoa, entrávamos em contato perguntando sobre o que ela queria escrever. Quando tínhamos o tema, pensávamos sobre quem escreveria algo bacana a respeito.

Aliás, uma das coisas que mais me faz crer que teremos pelo menos mais uma ou duas edições é que ainda temos muitas balas na agulha. Se você é um membro ativo da comunidade de RPG nacional, dando opiniões polêmicas, interessantes, ou simplesmente dizendo o que pensa do jogo, é bem provável que a gente esteja te observando!

J.M: O lançamento de uma publicação independente, feita por jogadores e para jogadores, com dinheiro do próprio bolso, é um sintoma de que o RPG brasileiro não anda tão mal quanto gostam de dizer por aí? É esse o caminho para novos autores?

Talvez eu seja um pouco suspeito pra falar, pois nunca acreditei muito nesse papo de crise. Acho que talvez as pessoas tenham se acomodado nessa conversa fiada, e só agora começam a se mexer de novo para fazer algo acontecer. Infelizmente, duas ou três editoras com potencial investiram em títulos com cara de anos 80 e foram mal.

Fazer o que? O autor não sabe muita coisa de pescaria, mas vende bem o peixe, e sempre pode culpar a crise pelo eterno fracasso. Isso atrapalhou? Não sei, pois não tenho números, mas pode ser que alguém interessado em publicar tenha desanimado nessa hora.

Num momento assim, a publicação independente aparece como uma alternativa muito boa. Eu sei onde estou colocando o dinheiro, pois conheço os limites do trabalho dessas pessoas, algumas das quais começaram a escrever RPG junto comigo. O Mamute não foi feito com o nosso salário, foi feito com dinheiro da Secular!

Não é bonito como uma revista saindo de uma editora profissional, mas tem exatamente a cara que nós queríamos que tivesse.

Para aqueles que querem começar a publicar, acredito que o Mamute (assim como o Busca Final, RPG que eu escrevi e que a Secular também vai publicar) é um exemplo vigoroso e, ouso dizer, nos emancipa da idéia de que o autor de RPG é Deus e seus leitores são Moisés recebendo os dez mandamentos.

O que nos permitiu montar a Secular e agora publicar o Mamute foi a determinação em fazer acontecer, e não contatos privilegiados na DB, Devir ou Jambô. A experiência ajuda? Com certeza, mas você pode criar o seu próprio conhecimento também. Quando decidimos publicar PDFs em inglês, não dava pra ligar para o Cassaro ou para o D3 e pedir o caminho das pedras.

Nós queremos que as pessoas entendam que o mercado de RPG mal pode ser chamado realmente de um mercado, e que fazer as coisas na base da raça vai ser a regra.

J.M: Valeu pela entrevista e boa sorte pra todo mundo aí. Pode guardar meu exemplar!

Nós é que temos que agradecer a oportunidade de falar sobre o fanzine para os leitores do blog. Esperamos encontrar todo mundo na RPGCon, para rirmos juntos numa partida de Tópicos & Trolls. Longa vida ao RPG Independente!

 

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